Além das tarifas locais, o que custaria ligar? Você só gastaria saliva, e um pouco de ideias pra formar alguns diálogos mentais e começar uma conversa. Assim, travar aquele epílogo forçado, trocar algumas ideias, perguntar como estou, se estou bem, mal, se morri ou se continuo intacta. Por mais que nossos silêncios formassem um monólogo chato e hostil, que custaria, além das tarifas locais? Eu devia ter seguido o meu autoconselho de não me apaixonar em festas. Ou pelo menos me apegar. Sempre quebro a cara. No final ou no início. Casado, solteiro, gay, com amnésia ou perda de memória recente.
Minha tia sempre me dizia que não tinha sorte no amor. E não tinha mesmo. Aliás, não tenho. Todas as vezes em que conheço alguém, tenho medo de me aproximar. Sabe, puxar assunto. Meu sexto sentido sempre dá sinal vermelho, dizendo que estou atrapalhando. E esse “atrapalhar”, na cabeça alheia, significa ignorar. Me afasto sem perceber. Me aproximo sem querer. Me escondo por prazer, e por sorte. Dos outros.
A verdade é que não possuo muita estrutura para relacionamentos. São muitas promessas não cumpridas, palavras não ditas, ideias mal (muito mal) expressadas.
Oi, eu venho sempre aqui.
Eu também. Mas hoje vim só por falta de opção. Não há o que fazer na cidade a essa hora, neste dia.
Posso te pagar uma bebida?
Não bebo, desculpe.
Um refrigerante?
Coca-Cola, por favor. Com gelo, e limão.
Preciso ir, estou com os meus amigos. Me dá seu telefone? Te ligo amanhã.
Tudo bem, aqui está.
E mais um coração é partido, graças a uma folha com oito números. Míseros oito números. Malditos! Por conta deles, passei uma noite inteira, ou o que sobrou dela, imaginando aquelas coisas de contos de fadas, que de tão lúdicas, chegam a ser reais; elas chegaram assim, bem perto de mim; quase pude tocá-las. Mas, ao tentar fazê-lo, elas sumiram como pó. E eu fiquei de cara pro teto, com uma cara meio de meretriz, esperando por algo que nunca viria.
Afinal de contas… Telefone serve pra quê? Você poderia ter ligado, né.
| — | Carla Mangueira (via doce-inverno) |

Se der, e não for muito incomodo, pense em mim de vez em quando. Lembre dos nossos momentos, bobos e dos tão apaixonados. Daqueles que os olhos se cruzam e ninguém diz nada, mas ao mesmo tempo diz tudo. Feche os olhos e imagina o que poderíamos estar fazendo agora, se estivéssemos perto. Crie todos os diálogos e cenas que poderia acontecer. Use a sua imaginação. Mas pense, nem que seja só um pouquinho. É que de vez em quando me sinto idiota por pensar tanto em você, e não saber se você faz o mesmo.
Toda garota sonha com um romance que dure por toda vida, mas nem sempre dá certo. Amar é muito mais do que meros carinhos e abraços. É preciso entregar-se de corpo e alma, viver cada instante como se fosse o ultimo, fazer valer a pena. Flores, palavras bonitas, declarações, tudo isso faz qualquer garota apaixonar-se, porém o que elas precisam realmente é de um menino que as deem proteção, as conforte e que esteja do lado dela, mesmo depois que todos tiverem partido. Faça dela seu diamante, sua pedra preciosa, jamais as magoem, dói, dói demais um coração partido e se amanhã aquela doce menina se revoltar e deixar de ser doce. Lembre-se: você é o culpado.
Amigo do Acaso
